Especialista esclarece por que o emagrecimento vai muito além de “força de vontade” e envolve fatores biológicos e metabólicos
Muitas pessoas acreditam que emagrecer depende exclusivamente de determinação, mas a biologia conta uma história bem diferente. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade quase triplicou em todo o mundo desde 1975, atingindo níveis pandêmicos que não podem ser explicados apenas por falta de foco. O processo de perda de peso enfrenta barreiras biológicas complexas, pois o organismo humano é programado para estocar energia como forma de sobrevivência, tornando a manutenção do peso uma batalha constante contra o próprio metabolismo.
A grande dificuldade reside no fato de que o cérebro não entende a dieta como uma escolha saudável, mas sim como um estado de privação. Quando reduzimos drasticamente as calorias, o corpo aciona um mecanismo de defesa para poupar energia. Segundo Bruno Sander, o emagrecimento envolve uma orquestra de hormônios que controlam a fome e a saciedade. “Não é uma questão de caráter ou força de vontade. Quando o paciente perde peso, os níveis de grelina, o hormônio da fome, sobem, enquanto a leptina, que nos dá saciedade, cai. O corpo luta para recuperar cada quilo perdido”, explica o médico.
Além da questão hormonal, o metabolismo tende a desacelerar à medida que o peso diminui. Isso acontece porque um corpo menor exige menos energia para funcionar, mas também porque o organismo se torna mais econômico durante a restrição alimentar. De acordo com o especialista em gastroenterologia e endoscopia, essa adaptação metabólica é o que muitas vezes leva ao famoso efeito sanfona. “O metabolismo se ajusta para baixo, e se a estratégia de emagrecimento for baseada apenas em fechar a boca, a pessoa acaba estagnando ou recuperando o peso rapidamente assim que volta a comer o mínimo necessário”, afirma.
Outro ponto crucial é a saúde digestiva e a forma como o corpo absorve os nutrientes. O tratamento moderno do sobrepeso não foca apenas na balança, mas em entender como o sistema digestivo e o cérebro se comunicam. Para Sander, tratar o emagrecimento exige uma visão multidisciplinar que vá além do prato de comida. “Precisamos olhar para a inflamação do organismo e para como o trato gastrointestinal sinaliza para o cérebro que estamos satisfeitos. Sem regular essa comunicação, o paciente vive em um eterno conflito interno”, destaca.
A ciência atual mostra que o sucesso a longo prazo depende de intervenções que respeitem esses limites biológicos, seja por meio de mudanças graduais de hábito, suporte medicamentoso ou procedimentos que ajudem a controlar a saciedade de forma mais eficaz. O segredo não está na restrição punitiva, mas na reprogramação da resposta do corpo ao alimento. O especialista reforça que o acolhimento médico é fundamental para retirar o peso da culpa dos ombros de quem tenta emagrecer sem sucesso.
“O emagrecimento definitivo só acontece quando paramos de brigar com a biologia e começamos a trabalhar a favor dela”, conclui o médico. Entender que o corpo possui mecanismos de proteção contra a perda de peso é o primeiro passo para buscar estratégias mais inteligentes, seguras e, acima de tudo, sustentáveis para a saúde do paciente.
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Fonte: Dr. Bruno Sander — Gastroenterologista e Endoscopista | Especialista em emagrecimento
